2013-07-12

Viver com o rosto de um invisível...
viver dando a mão, com um sorriso...
viver no pensamento...

Amanhã, o mar conta-me a história 
                               da sereia...
que encontrou Neptuno...
aquele com quem adormece....
aquele a quem conta os seus pensamentos...

No outro dia, chega a serenidade...
e o encontro dos dois...

A exaltação surge do encontro...



2013-05-24


http://www.youtube.com/watch?v=8UVNT4wvIGY
 Diagonal da Vida
Ao olharmos o caminho que percorremos na vida, ao abarcarmos o seu «erróneo curso labiríntico» (Fausto), não podemos deixar de ver muita felicidade malograda, muita desgraça atraída, e talvez facilmente exageremos nas repreensões a nós mesmos. O curso da vida não é certamente a nossa obra exclusiva, mas o produto de dois factores, a saber, a série dos acontecimentos e a das nossas decisões. Séries que sempre interagem e se modificam reciprocamente. Além disso, há o facto de que, em ambas, o nosso horizonte é sempre bastante limitado, na medida em que não podemos predizer com muita antecipação as nossas decisões e muito menos prever os acontecimentos; na verdade, de ambos conhecemos com justeza apenas os acontecimentos e decisões actuais.
Sendo assim, enquanto o nosso alvo está longe, não podemos dirigir-nos directamente para ele, mas só por aproximações e conjecturas, amiúde tendo de bordejar. Tudo o que conseguimos é tomar decisões sempre segundo a medida das circunstâncias presentes, na esperança de fazê-lo bem, para desse modo nos aproximarmos do alvo principal. Na maioria das vezes, portanto, os acontecimentos e as nossas intenções básicas são comparáveis a duas forças que agem em direcções opostas, sendo a diagonal resultante o curso da nossa vida.

Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'

2012-05-26

A ternura, que nos une 


tem o cheiro a terra molhada...


Nossos pensamentos entrelaçam-se


como o ar, que existe na água...


A entrega do nosso olhar é a 


sublimação de dois seres num... só!


A construção dum desejo tem o ritmo


do arfar unido...


A descoberta dum desafio encarna


o "toro" entrelaçado de dois seres eternos...

2012-01-12

para o itinerante...

um milagre...

http://www.youtube.com/watch?v=gOfvZprxmy0&feature=player_embedded#!

partilho com um sorriso
uma nuvem....
um pôr do sol...
uma planície, onde nos deitamos e escutamos as conversas do vento
o marulhar das ondas
o pilrear dos cucos
as folhas que contam estórias
do mundo
por entre os duendes, que tropeçam nos nossos dedos
voando com as letras...
dos sussurros que escutas 
numa entrega 
com as raízes 
com o cheiro da terra molhada, ensolarada...

2011-05-22



As escarpas da caminhada contavam-me
                histórias e mais histórias ...


   o percurso tornava-se da cor da terra,
                              o cheiro embebia-se no meu sangue,
       salpicando de energia
                                     meu olhar...


             escutava o suave ondular dos ramos,
                                              que cantavam por cima de mim...


     o fresco rio serpenteava, 
           seduzindo-me para que o seguisse...


18.05.2011






nasceu um borbulhar 
                  cuja narração 
         floreava por mim...

                              esculpiu-se o lótus
       dum âmago partilhado


entre a minha cúspide
          e as batalhas semeadas
    o cúmulo ergue-se...


relembro o companheiro
                                  de luta
     em cuja espada 
me deleito...






















          





















um dia com nuvens....


O sol escondeu-se por entre raios e corriscos…
             guardando as suas forças para campanhas
                                                         do amanhã…
O vento trouxe um sopro de angústia e fúria…
devastando mares, florestas
                      caminho sem tréguas…
até as montanhas me abrirem
                   os seus braços confortantes,
onde me declino,
            refugio-me
    no cavaleiro do mundo…
A batalha tem outro rosto depois…
   diluído na entrega
                      deixando de ser EU!...

18.05.2011







a maior comunhão que me permito
                                  viver...
  a que me envolve, e só a mim...

ao trazer o outro para o meu ventre...
    renasço como a fonte na encosta
            como o grito do vulcão...
          como o piar do mocho na noite...
     como a estrela que nasce na galáxia...

sorvendo o olhar do outro...
         encontro-me por entre os traços solares...
    e dissolvo-me no seu ser...