2008-06-03

uma cruzada








Quando marchamos pela planície, nosso pensamento eleva-se em consonância com o ar que respiramos...
Buscar o mediano que nos transporta para o horizonte, que criamos como refúgio, mas como sabedoria para desfrutar em parceria com os companheiros de viagem.
Encontrarmos a sombra que nos traz repouso essencial para a jornada, inalando o perfume do cantar matinal das aves primaveris.
O cansaço essencial ao repôr de forças, fazendo parte dum traçado juvenil de estórias contadas em seguimento de vivências contidas no escoar de passadas terrenas.
Hoje, conto-vos o relato dum jovem em busca da felicidade. Nas montanhas encontrou o conforto da resposta. E, na comunhão com outro igual, cuja missão é a partilha do saber.
Também este contar, me recorda um outro – diário da nossa paixão – revisto nestes dias, e que a certeza do amor vinga sobre todas as coisas.
O jovem índio, cuja perda tinha sido uma irmã, e o lançara para a tristeza, acreditou na possibilidade de reencontrar-se. Lançou-se ao caminho e assim foi realizado seu propósito.
Nas próximas pétalas, deixar-vos-ei a sua aprendizagem, de forma a que possamos, todos, desfrutar da sua alegria e completemos mais uma etapa – o desejo de vivermos a felicidade todos os dias, como atitude, e não como desejo, apenas.

2008-05-22

Os trilhos trocados


Os trilhos trocados
são meras esmeraldas
que vestem no ofusco
da claridade enganadora
ludibriosa vontade
essa que troco
pelo querer voluntarioso.

Sol emanescente
que contorce
a verdade longínqua
como o luar
me toca.

Na madrugada escaldante
troco de vestes
para semelhante
parecer.

Máscara encarnada
rodeada de púrpura
fluorescente escarlate
no oceano verdejante
em que encontro
e busco
a ternura do beijo
trocado pelos enlaces
animalescos confundidos
pelo prazer volupioso
e, que ...
na comunhão
iludida emanheceu
o ente mais
bucólico que
a natureza
emergiu do carinho
trocado pelo som
escálido e tortuoso
da vontade contida.

O remanescente
florir
busca e entrega
a fusão
escolhida
e revoltada
pela bonança tempestuosa
onde a paz disfarçada
encontra a ambiguidade
humana
onde o Páris rebuscado
torce a singela
Vénus iluminada
e confude
os sentimentos
que veste
a VIDA!

O AMOR
volta
e, volta
e, volta
a banhar-me
contra tudo
e todos!


1.6.94

2008-05-03



"A entrega é algo divino, longe de ser um caminho dificíl!" - Teresa


A entrega é algo divino... compreendo, mas longe de ser difícil por ser divino? Mas o ser humano é divino? Tem a divindade com ele? Então, qual o motivo porque colocas tantas questões ao ser terreno que és? Porque não te entregas? Será que falamos do mesmo?

Que entrega não é difícil como humano? Dizes que é parar de pensar e SER!... O amor é uma entrega? Não é um caminho árduo? Então, porque somos aprendizes?

Eu acredito que, para ti, seja desta forma, porque estás a descobrir.

EU SOU O QUE SOU
mas a minha caminhada é, ali, noutro trilho, paralelo ao teu e de muitos outros seres...
A minha identidade, a ana, descobriu, numa outra caminhada, que só sendo EU, é que posso chegar ao que SOU.
Quem sou EU? Uma estrela! Um grão de areia! Um ouriço-cacheiro! Um som! Para "existir" não preciso de uma identidade, só como humana, por enquanto; é desta forma que tenho conhecimento da realidade, por ora!
Quando se diz que SOMOS TODOS UM, existe a entrega, nesta frase?

2006-10-26

labirinto


Um labirinto envolve-se em mim e não me permite delinear um contorno mais direccional.

Saber que tenho armas disponíveis, serena-me, mas o desafio lateja e eu escuto!

Reconfortar-me com as defesas que ergo ou aludir ao fluxo que abraço?

Entregar-me é a escolha, mas é o caminho duro para um humano!

2006-10-21

quero voar


O amor...
não consigo falar de outra coisa; é o que me cobre, me veste e respiro! Envolve-me!
Como viver coberto? Quando o nosso alimento provém do outro? Há quem aclame que é paixão! Mas quando a larva se transforma no dragão, ainda o é?!
Querer cobrir o mundo e deixar de fazer parte dele, é...?
Sentir a respiração do outro dentro de nós...
sentir o seu cheiro em cada poro, nosso?
Desejar que a hora pare...
Que as flores cresçam comigo...
E, que as montanhas me abriguem dos outros...
Não quero mais existir, quero ser o outro!
Porque tenho de ser humana?
Quero ser uma gota da chuva...
podia estar em todo o lado, caminharia sempre a seu lado!
Eu quero estar nele!...

afecto violento




a noite tem o rosto do desconhecido
quando me tocas
quando te olho
sou transportada para outro lugar...
o vulcão povoa-me

no encontro, eu desejo a eternidade, que me transporta a casa; com a tua doçura, eu 
sinto a inteligência, que me seduz; com as palavras, deixo de estar só!

tens o poder de levar-me a montanhas e
ofereces-me a vida!




2006-10-16

Voltei?



Estive deambulando, procurando, encontrando...
Mas ainda não sei se me deparei com o que procuro.
Sentiram a minha falta ou das minhas palavras... eu também sinto!
Mas a lua oculta-se, para recuperar a sua face, quando se veste de uma "nova".
Tanta coisa para vos contar, mas sem mote. Dentro de mim, está a caixa que se fechou e cuja chave, algures, descansa.
A entrega sucede, deixando uma rasto, que não tem definição.
Perdoem-me, mas a vontade tem um sabor... a escape, vazio!